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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ainda Lembro Marisa Monte Ainda lembro o que passou Eu, você, em qualquer lugar Dizendo: "Aonde você for eu vou" Oh! Oh!... E quando eu perguntei Ouvi você dizer Que eu era tudo O que você sempre quis Mesmo triste eu tava feliz E acabei acreditando Em ilusões... Eu nem pensava em ter Que esquecer você Agora vem você dizer: "Amor, eu errei com você E só assim pude entender Que o grande mal que eu fiz Foi a mim mesmo"... Uh! Uh! Uh!... Vem você dizer: "Amor, eu não pude evitar" E eu te dizendo: "Liga o som, uh! uh! uh! E apaga a luz" Uh! Uh! Uh! Uh!... Ainda lembro o que passou Eu, você, em qualquer lugar Dizendo: "Aonde você for eu vou" Oh! Oh!... E quando eu perguntei Ouvi você dizer Que eu era tudo O que você sempre quis Mesmo triste eu tava feliz E acabei acreditando Em ilusões... Eu nem pensava em ter Que esquecer você Agora vem você dizer: "Amor, eu errei com você E só assim pude entender Que o grande mal que eu fiz Foi a mim mesmo" Uh! Uh! Uh! Uh!... Vem você dizer: "Amor, eu não pude evitar" E eu te dizendo: "Liga o som, uh! uh! uh! E apaga a luz" Uh! Uh! Uh!... Ainda lembro o que passou Ainda lembro como era bom Ainda lembro inda lembro Ainda lembro, inda lembro Oh! Oh! Oh! Oh! Ainda lembro...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Santo Agostinho


“Meu coração está inquieta, enquanto em vós não descansar”

PÁSSARO MORTO


Durante muito tempo me interroguei
quando virás? Quando surgirás tu?
Nascerás da erva
emergirás do desconhecido
ou não és mais que um impossível amanhã?
Durante muito tempo me interroguei
e quando sondei os espelhos do tanque
dispersei-me entre os fragmentos dos espelhos
não encontrei o meu rosto em estilhaços
Vi-te a ti
e quando estendi as mãos
para tocar o teu rosto
os sinais da minha última ilusão dissiparam-se
tu dispersaste-te como os espelhos do tanque
e sobre a água ficou
um pássaro morto

[Rembrandt - Homem nu sentado no chão com perna estendida]





Afastámo-nos. Culpa minha, em grande parte. Achei que estávamos demasiado apegados um ao outro. Achei que era excessivo. Achei que nos estávamos a prejudicar um ao outro. Não tive a clarividência de perceber o óbvio. Tu não sei se o percebeste. Acho que sim. Compreendeste, pelo menos, que, naquela altura, o nosso afastamento era inevitável e imprescindível. Sem dramas, sem zangas, acabámos por nos ir apartando. O que vivíamos não era já saudável. Era excessivo. Era como um namoro não assumido. Um namoro sem consumação física. Mas não um namoro qualquer. Era quase uma obsessão. Vivíamos um para o outro. Havia até cenas de ciúmes, disfarçadas de brincadeira. E eu não tinha a clarividência de perceber o óbvio. Tu deves tê-lo percebido. Entre nós havia aquela amizade louca, excessiva, quase passional. Mas isso não te incomodava. As coisas tornaram-se claras para ti, muito mais cedo do que para mim. Sabias onde ficavam os teus limites, e sobretudo sabias onde ficavam os meus. Sabias que eu não os ultrapassaria nunca, pela amizade louca que te tinha. Portanto isto não te incomodava. Não te incomodava ir comigo a determinados sítios. Não te incomodava que passássemos por namorados, não o sendo. Não te incomodava simulares cenas de ciúmes diante de quem pensava que éramos namorados. Porque sabias que eu nunca passaria os limites que me tinha imposto a mim mesmo. Porque te respeitava, porque te tinha uma amizade desmesurada. Além de tudo o resto. E foi porque o percebeste, e foi porque a adoração que te tinha era de facto desmesurada, que conseguimos reatar a nossa amizade de modo tão natural, como se nada tivesse acontecido. Como se ainda na noite anterior tivéssemos feito mais uma das nossas loucas saídas. Hoje percebo-o, finalmente.

VENTOS


Ventos fracos.
Ventos fortes.
Ventanias.
Retirem
de minha mente
o que tirar
não consigo.

Homem nu


Ao me revelar para você,
perdi a proteção
que me envolvia.
Fiquei nu.
Retirei minha fantasia.